22 de abril






das 19h
às 21h30





a
24 de junho




segundas-feiras






Crise e crítica: o artista na cidade


Ainda que a relação do artista com a cidade seja anterior à separação entre Igreja e Estado, a partir do final do século XIX ela adquire contornos bastante particulares. O período em questão coincide com a urbanização e industrialização massivas das grandes cidades ocidentais, que provocaram uma profunda transformação nos espaços e nos modos de vida urbanos. Foi a partir desse “estado de crise” que muitos artistas passaram a olhar de forma crítica para o espaço da cidade – testemunho tectônico desse processo de aguda metamorfose – buscando compreender as mudanças pelas quais a sociedade estava passando. Na busca pela compreensão dos desafio de seu tempo, o olhar dos artistas se voltou ainda para outro contexto: o das instituições de arte, aquelas que permitiam que seus trabalhos dialogassem com a sociedade à qual eles se propunham servir.

OBJETIVOS

O objetivo do curso é ampliar o repertório do aluno sobre produção intelectual e práticas artísticas de teor crítico situadas na fronteira entre a instituição de arte e a cidade.



Investimento:
R$ 790,00 (Em até 3x)
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AULA 1
Um perpétuo vir-a-ser: espaços e sujeitos urbanos em estado de crise

Resumo: introdução à temática do curso.

Retirada e avanço, destruição e nonsense: o readymade entre Dadaísmo e Surrealismo [aula com Daniel Jablonski]

Resumo: o encontro propõe uma leitura do Dada e do Surrealismo para além de suas obras canônicas. Trata-se, assim, de restituir a radicalidade original desses movimentos, em seu desejo de romper com todas as formas tradicionais de criação (pintura, escultura, poesia) e de exposição (salões, museus, galerias). Por meio de sessões caseiras de hipnose, reuniões em feiras de diversão ou recitais em restaurantes, estes artistas e escritores apostaram na possibilidade de se trabalhar artisticamente a própria vida (e a própria morte). E terminaram assim por engendrar, décadas mais tarde, todo um novo paradigma criativo, paradoxalmente ligado à ideia de uma “institucionalidade” da arte.  

AULA 2
Por uma revolução urbana: os situacionistas na Paris do pós-guerra

Resumo: a Internacional Situacionista foi grupo literário atuante em cidades da Europa no período pós-Segunda Guerra Mundial. Seus escritos, que propunham uma revisão crítica do pensamento urbano dominante na época, tornaram-se uma referência fundamental para muitos artistas, arquitetos e urbanistas que viriam a seguir.

AULA 3
Arquitetura e capitalismo sob ataque frontal: a Nova York de Gordon Matta-Clark

Resumo: encontro dedicado ao arquiteto-artista Gordon Matta-Clark (1943-1978). Sua produção foi em grande parte realizada em Nova York, cidade que na década de 70 sofria os efeitos colaterais da expansão irrestrita da malha rodoviária, da especulação imobiliária e das políticas de alienação social através da cultura do consumo. O artista, que se utilizou da cidade como tema e suporte para muitos de seus trabalhos, é associado especialmente às suas agressivas intervenções em edifícios abandonados ou prestes a serem demolidos. Cortes, fraturas e mutilações, que realizava ele mesmo com o uso de ferramentas manuais, representavam um ataque frontal à arquitetura como símbolo do status quo capitalista. 


AULA 4
Acontecimento crítico: a performance no espaço da cidade

Resumo: em termos de linguagem artística, as práticas performáticas são uma exploração das ideias de tempo e de movimento. No entanto, para além disso, podem também ser entendidas com uma crítica ao distanciamento da obra de arte em relação à vida cotidiana, bem como à sua mercantilização. Esta aula será dedicada a apresentar uma seleção de projetos artísticos que tem na passagem do tempo e na ação no espaço da cidade a sua base crítica de acontecimento.







AULA 5
A forma pública: a institucionalização do site e da crítica

Resumo: uma leitura sobre os conceitos artísticos de site-specificity e de crítica institucional, trazendo como exemplos projetos desenvolvidos em relação com o contexto urbano.

AULA 6
Interioridade problemática: a virada ambiental de Hélio Oiticica

Resumo: uma leitura sobre a produção de Hélio Oiticica. O período a ser abordado acompanha a "virada de sinal" do projeto de modernização do Brasil, que se inicia com o projeto de Brasília e culmina na implementação da ditadura militar. Seus trabalhos, inicialmente referenciados na matriz racionalista da abstração geométrica, acabam por se transformar em projetos onde Oiticica, ao criar ambientes imersivos e repletos de referências do cotidiano, radicaliza as noções de subjetividade e de intimidade.


AULA 7
Utopia e vontade criadora: a função social da arte em Mário Pedrosa [aula com Michelle Sommer]

Resumo: O encontro objetiva traçar um panorama sobre a crítica de Mário Pedrosa impulsionada pela construção de Brasília. A produção de Pedrosa como crítico de arquitetura está diretamente ligada à sua produção como crítico de arte, já que a arquitetura – e leia-se em adesão o urbanismo – seria a obra de arte coletiva que materializa o debate sobre a função social da arte. Nesse contexto, o projeto de Brasília representava a esperança na concretização da função social da arte na cidade nova, uma grande arte coletiva e sintética.

AULA 8
Cidade-circuito, Arte-veículo [aula com Ana Maria Maia]

Resumo: ao extrapolar as linguagens tradicionais ou o espaço físico de museus e galerias, artistas demonstram a vocação da arte para participar do cotidiano, das disputas e construções que o constituem. Lançada em livro em 2015 e desenvolvida como plataforma histórica, curatorial e educativa desde então, a pesquisa Arte-veículo atenta para esse fenômeno, tomando como estudos de caso diversos modos de artistas ocuparem a mídia, tanto para pertencer às suas dinâmicas de visibilidade quando para desviar dos seus parâmetros de discurso. Na aula, serão apresentados alguns exemplos de intervenções midiáticas feitas no Brasil, bem como se discutirá “arte-veículo” como um conceito norteador para novas práticas.

AULA 9
Debater a cidade

Resumo: encontro dedicado à produção do artista mexicano Héctor Zamora (1974). O artista divide sua produção, de modo geral vinculada a programas institucionais, entre o espaço do museu e da cidade, esse último foco do encontro. Suas instalações tem como premissa a manipulação do espaço construído para criar discursos, simbologias, novas relações e até mesmo conflitos.


AULA 10
São Paulo, campo de batalha: as atividades artísticas na Ocupação 9 de julho
[visita orientada com participação de integrantes do coletivo Aparelhamento e de moradores da Ocupação]

Resumo: criada e gerida pelo Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC), a Ocupação 9 de julho é um espaço que conjuga habitação com um conjunto de atividades culturais oferecidas à comunidade em geral. A visita tem por objetivo conhecer alguns dos projetos artísticos realizados no edifício, a exemplo da Cozinha da Ocupação e da Galeria Reocupa, ambos geridos por integrantes do coletivo artístico Aparelhamento, em conjunto com moradores do local.



Helena Cavalheiro [professora responsável]

Pesquisadora e arquiteta. Suas investigações e práticas se situam na fronteira entre arte, arquitetura e cidade. De forma independente ou em associação, sua produção inclui projetos expográficos, como os das mostras 8ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul (Porto Alegre, 2011),  30ª Bienal de Arte de São Paulo (2012-13), Cidade Gráfica (Itaú Cultural, 2014),  reedição dos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi (MASP, 2015) e 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo (2017); projetos de arquitetura, como a Casa M (Porto Alegre, 2011), a galeria Casa Triângulo (2016) e o Edifício de Ciências Fundamentais no ITA (São José dos Campos, 2014); de desenho urbano, como o projeto Centro Aberto (2014); produção escrita de ensaios e artigos acadêmicos, com participação em congressos e colaborações para veículos especializados em arte contemporânea; participação em curadoria de exposições e desenvolvimento de projetos artísticos, de forma individual ou coletiva. Atualmente conclui o seu mestrado na linha de pesquisa Projeto, Espaço e Cultura da FAU USP.


Ana Maria Maia [professora convidada]

Pesquisadora, curadora e professora de arte contemporânea. Tem doutorado em Teoria e Crítica de Arte na Universidade de São Paulo. Em 2018, realizou as mostras A Marquise, o MAM e nós no meio (MAM São Paulo, em parceria com Educativo MAM e O Grupo Inteiro) e Arte-veículo (Sesc Pompeia, São Paulo). Essa última é fruto da pesquisa Arte-veículo: intervenções na mídia de massa brasileira, realizada com a Bolsa Funarte 2014 de Estímulo à Crítica de Arte e publicada como livro em 2015 (Editora Aplicação e Editora Circuito).







Daniel Jablonski [professor convidado]

Artista visual, professor e pesquisador independente. Mestre em Filosofia Contemporânea pela Sorbonne-Panthéon, Paris, e em História e Política do Museu e do Patrimônio / Estudos em Crítica e Curadoria pelo Institut National d’Histoire de l’Art, Paris, e Columbia University, Nova York. Conjugando teoria e prática, sua produção pode ser apresentada tanto na forma de fotografias, objetos, instalações e performances, quanto de uma publicação ou de uma palestra. Seus escritos podem ser encontrados tanto em revistas de literatura, como Serrote (Instituto Moreira Salles - RJ), revistas de arte como Amarello (SP) e Octopus Notes (Paris), bem como publicações acadêmicas, como Concinnitas (pós-graduação em artes - UERJ) e Poiésis (pós-graduação em filosofia - UFF-Rio).


Michelle Farias Sommer [professora convidada]

Atua no ensino, pesquisa, crítica e curadoria de artes visuais. É pós-doutoranda em Linguagens Visuais na EBA/PPGAV/UFRJ, doutora em História, Teoria e Crítica de Artes pelo PPGAV/UFRGS com estágio doutoral junto à University of the Arts London / Central Saint Martins na área de estudos expositivos. É mestre em Planejamento Urbano e Regional e arquiteta e urbanista. Em 2017 foi co-curadora da exposição Mário Pedrosa: de la naturaleza afectiva de la forma no Museu Reina Sofia, em Madri, que obteve o prêmio destaque pela curadoria da exposição pela ABCA – Associação Brasileira de Crítica de Arte em 2018. É autora de diversos livros e contribui regularmente para publicações nacionais e internacionais e projetos de artes visuais em diferentes formatos.

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